Empregabilidade
Por Shirley Chuster Werdesheim
Qual será
o significado correto do termo "empregabilidade"? Por que será que
existe um grande número de profissionais disponíveis no mercado e não se
consegue encontrar com facilidade o mais qualificado para preencher uma
determinada posição de trabalho?
Talvez a
resposta esteja na capacidade de adequação ao novo mercado de trabalho ou no
questionamento de como garantir seu espaço dentro da organização. O mundo mudou
e as pessoas não se prepararam. O bom profissional é aquele que antes de tudo
deve possuir auto-percepção e objetivos profissionais e pessoais
pré-estabelecidos.
Já se foi
a época em que o considerado bom profissional era aquele que mantinha seu
histórico empregatício estável, com anos de trabalho numa mesma organização e
com conhecimentos profundos sobre a sua área de atuação, inclusive, sem a
necessidade de se levar em conta o business da empresa, ou seja, sua auto-percepção
era "sou bom naquilo que faço e não preciso conhecer as atividades do meu
colega de trabalho e/ou o que faz a área ao lado". Além disso, antigamente
a empresa era responsável pelo crescimento profissional de seu funcionário,
proporcionando-lhe cursos e sua estabilidade. Este conceito deixou de existir
há muito tempo.
Hoje o profissional qualificado tem que obter um conhecimento profundo sobre seu segmento de atuação, ser
generalista e ainda manter seu diferencial competitivo, isto é, a sua especialização no mercado de trabalho. Para isto,
fazem-se necessários bons conhecimentos sobre o mercado de trabalho, estar
alinhado com sua globalização, atualizar-se constantemente sobre os processos e
tecnologias de ponta necessários para a modernização organizacional, manter-se
em contato constante com outros profissionais e fazer uma boa rede de
relacionamento, preferencialmente com diversificação cultural, seja através de
grupos de trabalho ou até mesmo de estudo, a fim de trocar informações sobre o
que vem ocorrendo nos mais diversos setores da economia, fazer reciclagem
acadêmica, através de cursos curriculares e/ou extracurriculares, além de
adquirir fluência em um ou mais idiomas.
Deve-se
ter sempre em mente que somos eternos aprendizes, que nunca devemos parar de
adquirir novos conhecimentos, a fim de manter nossa competitividade no mercado,
independentemente de idade. As pessoas que se acomodam tendem a se tornarem
resistentes e conservadoras, o que dificulta sua afirmação e/ou recolocação no
mercado de trabalho. Até no que diz respeito ao universitário recém-formado,
ele deve continuar seu aperfeiçoamento profissional e estar predisposto ao
contínuo aprendizado e auto-desenvolvimento.
O
profissional tem que se perguntar constantemente: "Qual o grau de
qualificação que eu possuo?", "Até que ponto estou preparado para dar
conta das demandas atuais e futuras da posição que ocupo?", "Será que
estou preparado para progredir em minha carreira e aceitar novos
desafios?", "E se houver um downsizing na empresa onde trabalho, será
que consigo me recolocar com facilidade no mercado de trabalho?", pois
somente desta forma ele consegue fazer uma auto avaliação pessoal e
profissional, caso sua intenção seja alcançar sucesso e realização ao longo de
sua vida. Deve-se levar em consideração que é difícil fazer este diagnóstico,
pois qualquer pessoa teme perceber suas reais fraquezas. Contudo, antes tarde
do que nunca a se iludir e viver na frustração de julgar que pode ter
expectativas superiores à sua capacidade de realização. Para tanto, é
necessário manter o contínuo desenvolvimento de suas competências, ou seja, de
suas qualificações intelectual, emocional e física, tendo sempre em mente que o
conhecimento evolui constantemente e o profissional precisa manter-se
atualizado sob pena de "perder espaço".
A
retomada da economia tem criado novas vagas para executivos, principalmente
para os profissionais de média e alta gerência. Daí a necessidade da
contratação de executivos empreendedores, porém conscientes sobre a importância
de suas decisões sobre a organização. Além disso, o que se tem percebido é o
reposicionamento no mercado e alavancagem do setor de telecomunicações, o qual
praticamente ficou estagnado em 2002 e 2003, dada sua movimentação relativa às
fusões/aquisições das empresas, mais diretamente na telefonia móvel, onde a
concorrência é mais acirrada. Inclui-se neste rol de crescimento as empresas de
prestação de serviços/soluções de contact center, o que se alia à demanda e
oferta de trabalho para os profissionais da área de Marketing/CRM ? Customer
Relationship Management, vez que as empresas estão se conscientizando de que
sua sobrevivência está embasada no bom relacionamento com o
cliente/usuário/consumidor e em sua imagem perante o meio. Daí a necessidade de
ter empatia, colocando-se no lugar do outro e de saber ouvir as necessidades de
seus clientes. Outro segmento que está crescendo é o de bens de consumo, mais especificamente,
o de cosméticos, a "famosa indústria de beleza", que na verdade
sempre esteve em alta, pois em época de crise ou não, as pessoas gostam de se
sentir bem e com boa apresentação pessoal.
Com o
aumento da demanda de posições para executivos nas empresas, a área de
Recrutamento & Seleção está sendo utilizada para o desenvolvimento de
outros tipos de trabalhos internos, terceirizando os serviços de executive
search. Desta forma, as empresas podem ficar cada vez mais voltadas ao seu
business. Tal fator gera, por tabela, um aumento de quadro nas consultorias de
prestação de serviços de seleção e uma consequente e natural parceria
empresa/consultoria nesta área.
Nos
tempos atuais, o contrato de trabalho é equivalente ao estabelecimento de uma
parceria, na qual ambas as partes têm que ser úteis entre si. O profissional
deve encarar o trabalho como um projeto, no qual ele trará contribuições para garantir
o crescimento sustentável da empresa e em troca será recompensado através de um
pacote de remuneração adequado às metas que conseguiu atingir.
Deve-se
ressaltar que o trabalho deve ser encarado como uma forma de prazer e lazer e
não como uma obrigatoriedade. Para tanto, o executivo deve propiciar um
ambiente favorável para que isso se torne realidade.
* A autora é graduada em Psicologia, pós-graduada em Administração de Recursos Humanos Especialista em Psicologia Organizacional e Consultora de Recursos Humanos - VP Search/Value Partners Group
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Pesquisado:http: www.universia.com.br/carreira/materia.jsp?materia=4617
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